
Quanto posso contratar em 2027 sem apertar o caixa?
O ano vai bem até dezembro, quando 13º e férias chegam juntos. Como saber quanto dá para contratar em 2027 sem precisar do banco no fim do ano.
O ano foi bom. As vendas vieram, o time cresceu, as contas de cada mês fecharam. Aí chega dezembro e o caixa não dá conta: tem a segunda parcela do 13º, tem férias para pagar, tem as guias da folha de novembro. A saída acaba sendo o banco, com um empréstimo para cobrir uma despesa que estava prevista desde janeiro.
Não é falta de venda nem de controle. É que o 13º e as férias não aparecem no extrato enquanto nascem. Eles se acumulam um pouco a cada mês e saem de uma vez, no fim do ano, quando o negócio parecia estar indo bem.
Isso tem solução, e ela não passa por contratar mais alguém só para cuidar da folha. Passa por planejar: saber, desde janeiro, quanto cada pessoa custa de verdade e em que mês cada parte desse custo sai do caixa.
E a mesma conta responde à pergunta que todo dono faz nesta época do ano: quanto dá para contratar em 2027 sem apertar o caixa?
Contratar é assumir doze meses, não um salário
A vaga nasce com um número: o salário. É o número da conversa com o candidato e, quase sempre, o número que entra no orçamento. Não é o que sai do caixa.
Um salário de R$ 3.000 custa R$ 4.526,67 por mês para uma empresa do Lucro Presumido, sem nenhum benefício. A diferença são os encargos do regime, o FGTS e a parte de 13º e férias que nasce todo mês, antes de sair do caixa. O que entra nessa conta está em Quanto custa um funcionário CLT em 2026.
E contratar não é assumir um mês. É assumir o ano inteiro, e o seguinte. Uma contratação é um compromisso de doze meses que se renova sozinho.
Quem orça pelo salário aprova uma vaga que cabe em março e não cabe em dezembro.
O mês em que a pessoa entra muda a conta do ano
A mesma vaga de R$ 3.000, no mesmo regime:
- quem entra em janeiro custa R$ 54.320,04 em 2027;
- quem entra em outubro custa R$ 13.580,01 em 2027.
Outubro parece mais barato. Não é: é só mais curto. Em 2028, a pessoa de outubro custa o ano inteiro, com o dissídio por cima. E ainda em 2027 ela leva 13º proporcional em dezembro: um doze avos por mês trabalhado, e o mês com 15 dias ou mais de trabalho conta como mês inteiro.
As férias seguem outro relógio. Quem entra em outubro só tira férias depois de completar doze meses de casa. Em 2027 o custo delas já existe. O dinheiro sai em 2028, num mês que o orçamento de 2027 nunca viu.
Os dois erros mais comuns andam em direções opostas. Orçar todas as vagas como se entrassem em janeiro infla 2027 e trava contratações que caberiam. Orçar pelo mês de entrada e esquecer o ano seguinte empurra o problema doze meses para frente.
O orçamento de 2027 precisa saber quantas pessoas entram e em que mês cada uma entra.
Dezembro é o mês que decide
O custo de uma pessoa quase não muda ao longo do ano. O caixa muda muito. E o pior mês é dezembro.
Em dezembro saem, juntos, o salário de novembro, as guias da folha de novembro, a segunda parcela do 13º e o INSS do 13º inteiro. Novembro já levou a primeira parcela. Se a empresa dá férias coletivas no fim do ano, o pagamento delas também cai aqui, dois dias antes do início.
Na vaga de R$ 3.000 do exemplo, com a pessoa contratada em janeiro, dezembro tira R$ 6.528,00 do caixa. Num mês comum, a mesma pessoa tira R$ 4.074,00: o resto do custo mensal, que é de R$ 4.526,67, fica guardado para o 13º e as férias.
Agora multiplique pelo time. É nesse mês que o orçamento feito pelo salário cobra a diferença, de uma vez.
Janeiro também não alivia. Nele vencem o salário de dezembro, as guias da folha de dezembro e o FGTS da segunda parcela do 13º. E a folha de janeiro já nasce com o salário mínimo novo.
O 13º não é imprevisto: ele nasce um pouco em cada mês. Sobre isso, leia O 13º não vence em dezembro. Ele vence todo mês.
O que muda sozinho de um ano para o outro
Quem orça o ano que vem repetindo a folha deste mês erra antes de contratar qualquer pessoa. Algumas coisas mudam por conta própria, e todas têm data:
- O salário mínimo sobe em janeiro, e todo salário que ficar abaixo do novo valor sobe junto.
- O reajuste da categoria entra na data-base, que é o mês do acordo do sindicato, e não em janeiro. O 13º do ano inteiro sobe junto, porque é calculado sobre o salário de dezembro.
- 13º e férias têm mês marcado. A primeira parcela do 13º vence até 30 de novembro, a segunda até 20 de dezembro. As férias são pagas até dois dias antes de a pessoa sair, com um terço a mais.
Nenhuma dessas mudanças é surpresa. O problema é que a folha de hoje não carrega nenhuma delas.
Como saber quanto dá para contratar
A resposta está no mês mais apertado do caixa, não na média nem no total do ano. Para chegar nela:
- Parta do time de hoje, pessoa por pessoa, pelo custo. Não pela soma dos salários. Pelo custo real no regime da sua empresa, com os benefícios que você paga.
- Leve cada pessoa para 2027. Salário mínimo novo em janeiro para quem está nele, dissídio no mês da data-base de cada categoria, promoções já combinadas no mês em que passam a valer.
- Marque o calendário. As férias de cada pessoa no mês em que serão tiradas, as duas parcelas do 13º, as guias no mês seguinte ao da folha.
- Coloque cada contratação no mês de entrada. E as saídas previstas também: desligamento tem custo próprio e sai do caixa de uma vez, em poucos dias.
- Olhe o caixa mês a mês e ache o mais apertado. Se ele fecha com a receita que entra nele, a contratação está coberta. Se não fecha, mude o mês de entrada, o número de vagas ou o salário, e refaça.
Numa planilha, esse roteiro funciona até a primeira mudança. Uma contratação escorrega de março para maio, o dissídio sai diferente do previsto, alguém pede demissão em julho. Cada mudança mexe em vários meses, para várias pessoas, e todas precisam ser lembradas.
Simular antes de assinar
O CLT em Ordem foi feito para essa decisão, e para o dono não precisar de mais uma pessoa só para cuidar dela. O time entra por planilha, e cada pessoa aparece com o custo real no regime da sua empresa e o caixa mês a mês, na visão de competência e na de caixa.
No Simulador, a contratação avulsa responde à pergunta de uma vaga: quanto ela custa por mês no regime da sua empresa, e quanto valeria como PJ. Em Minha equipe, os cenários respondem à pergunta do ano: contratações no mês em que cada pessoa entra, aumentos e desligamentos simulados juntos, com o custo do ano comparado ao do time de hoje, antes de qualquer assinatura. O caixa de cada mês aparece no Dashboard e no Relatório.
O dissídio entra no mês da data-base. Os alertas avisam o 13º que se aproxima, o fim do contrato de experiência e as férias que ainda não têm data. E, com o ano em andamento, o fechamento de cada mês põe o orçado ao lado do realizado, com o orçamento montado por área.
Como estes números foram calculados
Os valores deste artigo saem do motor de cálculo do CLT em Ordem: salário de R$ 3.000, Lucro Presumido, premissas de mercado para grau de risco, FAP e contribuição a terceiros, sem dependentes, sem benefícios, sem reajuste no ano e sem afastamentos. Como os valores de 2027 ainda não foram publicados, a conta usa as tabelas de 2026. Na vida real, o dissídio da categoria entra por cima.
Para uma vaga só, a calculadora do site dá o custo mensal no seu salário e no seu regime, sem cadastro. Para o ano inteiro, crie a conta grátis e comece pelo time que você já tem.
Perguntas frequentes
Posso usar a folha de hoje para orçar 2027?
Como ponto de partida, sim. Como orçamento, não. Em janeiro muda o salário mínimo, na data-base de cada categoria entra o dissídio, e 13º e férias têm mês certo para sair do caixa. Repetir a folha de hoje doze vezes erra o total do ano e erra o mês em que o dinheiro sai.
Qual é o melhor mês para contratar?
Não existe mês barato. Existe mês que cabe. Quem entra no fim do ano custa menos naquele ano, mas já leva 13º proporcional em dezembro e custa o ano inteiro no seguinte. O mês com 15 dias ou mais de trabalho conta como mês inteiro para o 13º, então entrar no dia 10 ou no dia 20 muda a conta. A decisão certa olha o caixa do mês de entrada e o de dezembro.
A partir de quando o dissídio entra no orçamento?
A partir do mês da data-base da categoria, não de janeiro. Empresa com mais de uma categoria tem mais de uma data-base. Quando a convenção é assinada depois da data-base, a diferença dos meses anteriores costuma vir retroativa, de uma vez. E o reajuste mexe no 13º do ano inteiro, porque ele é calculado sobre o salário de dezembro.
Quem entra em outubro tira férias em 2027?
Em regra, não. As férias só podem ser tiradas depois de doze meses de casa, então as de quem entra em outubro de 2027 saem do caixa a partir de outubro de 2028. O custo delas, porém, nasce desde o primeiro mês de trabalho. A exceção são as férias coletivas, que podem incluir quem ainda não completou doze meses, com pagamento proporcional.
O salário mínimo de 2027 já está definido?
O valor oficial só sai perto da virada do ano. Até lá, o orçamento trabalha com a projeção e precisa ser refeito quando o número definitivo for publicado. Todo salário abaixo do novo mínimo sobe junto com ele, em janeiro.
Como saber se cabe mais uma pessoa?
Simulando antes de assinar. Some o custo real da vaga, no regime da sua empresa e a partir do mês de entrada, ao time que você já tem, mês a mês. Se o pior mês do ano fecha com a receita que entra nele, a vaga cabe. Se não fecha, mude o mês de entrada, o número de vagas ou o salário e simule de novo.